Ainda sobre as Escolas de Proximidade …

 ” Está por provar que os alunos da escola primária, aprendem mais quando frequentam grandes centros escolares dotados de tecnologia de elevada intensidade.

O ME julga que sim mas não apresenta provas. Justifica o fecho das escolas de proximidade e a criação de mega-agrupamentos com uma questão de fé: tudo o que é tradicional é mau, tudo o que é modernaço é bom. Essa foi a ideologia que tomou conta do partido que governou Portugal nos últimos 15 anos com o interregno barrosista e santanista de 3 anos.

O que os estudos feitos nos EUA dizem é que os alunos da escola primária aprendem mais e melhor em escolas de proximidade porque oferecem ambientes mais seguros e personalizados.

Está por provar que os alunos da escola primária aprendem melhor em ambientes carregadas de alta tecnologia: Internet de alta velocidade, quadros digitais, calculadoras e portáteis para todos. O que os resultados do PISA nos dizem é exactamente o contrário: os alunos com melhores resultados a matemática, a leitura e a ciências são os que são oriundos de países onde o uso das calculadoras, computadores, internet na sala de aula e quadros digitais não está generalizado.

Os exemplos dos alunos chineses, coreanos e japoneses estão aí para mostrar que o uso intensivo de tecnologias de elevada intensidade na sala de aula não correlaciona com o desempenho na matemática, leitura e ciências. Nesses países, a calculadora e os computadores são introduzidos apenas na escola secundária e com limites bem definidos.

Está por provar que os alunos da escola primária aprendem melhor quando frequentam grandes centros escolares dotados de bibliotecas. A propaganda do Governo diz que sim mas não indica estudos que confirmem a tese. No fundo, a tese do Governo é fundamentada numa questão de fé. Crianças que estão na fase da aprendizagem da leitura e da escrita não precisam de computadores, internet ou bibliotecas. Precisam de ter um número reduzido de bons livros em todas as salas de aula, quadros de ardósia do tamanho da parede, cadernos, canetas, lápis e outros materiais de tecnologia baixa.

Texto tirado do Profblog de 11 de Julho

Aos mega-agrupamentos e ao encerramento das escolas de proximidade.

Ninguém entende a utilidade pedagógica da criação de agrupamentos de escolas com 3 mil alunos nem a integração na mesma unidade de gestão de realidades tão diferentes quanto o são os jardins-de-infância e as escolas secundárias.

Quanto ao fecho das escolas de proximidade, o problema que persiste é o da falta de confiança nos critérios do Governo. Há cinco anos, o critério de fecho era ter menos de 10 alunos. E toda a gente compreendeu que era insustentável ter escolas abertas com 9 alunos.

Agora, o critério subiu para 21 alunos mas há conhecimento de escolas encerradas com mais de 21 alunos.

Onde vai parar o limite?

As populações receiam que, amanhã, o critério suba para 50 e depois para 100 e por aí fora.

E quando uma escola fecha numa aldeia há uma parte dela que morre.

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